Inovação e experiência são as palavras-chave da nova forma de se fazer varejo, mas que ainda dá passos lentos no Brasil. É assim que podemos sintetizar as palestras ministradas nessa sexta-feira (23), durante a 12ª edição do “Cenários do Varejo”, realizado pela CDL de Fortaleza, Faculdade CDL e GS&MD. O evento local é inspirado na NRF Retail’s Big Show 2018, uma das maiores feiras do segmento no mundo, que ocorreu em Nova York, no mês de janeiro.

Anfitrião do Cenários, o presidente da CDL de Fortaleza, Assis Cavalcante, abriu a programação resumindo o sentimento dele e dos empresários brasileiros que foram aos Estados Unidos e trouxeram na bagagem as principais tendências do setor. O empresário destacou que as empresas precisam inovar como nunca para sobreviver em um ambiente tão competitivo. “Um dos maiores temores dos varejistas seria o fim das lojas físicas com o crescimento exponencial do comércio online. Mas, o que vemos é o mundo off-line se integrando cada vez mais com o online, gerando experiências únicas e individuais”, pontuou.

Diretor-presidente das Óticas Visão, Assis Cavalcante salientou que tem tirado aprendizados importantes das feiras que participa para aplicar em sua rede de lojas. “Desde janeiro, estamos estudando a implantação do ‘visagismo’, que projeta o tipo de óculos ideal para característica de cada rosto. É a personalização que o consumidor tanto procura hoje. E, ao mesmo, tempo vamos buscar gerar mais experiências para os consumidores do online para o off-line”, explicou.

Mercado
Um dos palestrantes e parceiros do Cenários do Varejo, Marcos Gouvêa de Souza, fundador da GS&MD, enfatizou que o mercado brasileiro está ficando para trás. De acordo com ele, a crise atual de crescimento não é só uma questão de economia. “Viveremos um período pontual de recuperação de mercado, balizado pelo aumento do emprego, da renda, do crédito e da confiança do consumidor. Mas continuaremos distantes de uma economia competitiva, moderna e orientada para o crescimento sustentável de longo prazo”, disse o fundador da GS&MD.
De acordo com Gouvêa, as empresas precisam acompanhar o consumidor. “Não adianta dizer que a economia já melhorou e pronto, tudo voltou ao normal. Isso não é verdade. O consumidor está mais atento e tem muito mais informação. Ele sabe perfeitamente o que quer antes de comprar. Para voltarmos a índices anteriores é necessário inovação”, analisou Gouvêa.

Resultados
Logo depois, Luiz Alberto Marinho, sócio-diretor da GS&MALLS, apresentou exemplos de empresas que buscarem inovação e estão se dando muito bem, mas sem acabar com as lojas físicas. A Apple, uma gigante mundial de produtos eletrônicos de consumo, criou lojas para promover interação com os consumidores. “O objetivo da loja da Apple não é vender. Os produtos são expostos para que o cliente experimente. Como consequência, as lojas físicas da Apple são responsáveis por 2/3 das vendas da companhia. Tudo porque eles promovem o engajamento”, detalhou Marinho.

Encerrando o Cenários do varejo 2018, um dos sócios da Reversa, José Alberto Silva, mostrou um exemplo nacional de sucesso. A grife de roupas foi considerada uma das empresas mais inovadoras do mundo, segundo a revista americana Fast Company. A companhia é a única brasileira no ranking. A Reserva incentiva o cliente a criar seu próprio design.

Veja a matéria original em Diário do Nordeste

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