A estabilidade na economia, que começa a se refletir na melhora dos níveis de emprego e na renda dos brasileiros, está levando empresas de alimentação que interromperam os planos de investimento a retomar as estratégias de expansão. É o caso do grupo brasiliense Giraffas, uma das maiores redes de food service do país, com 410 lojas espalhadas por 161 cidades brasileiras.

Em 2018, a empresa irá retomar seu projeto, iniciado em 2015 e interrompido pela crise dos 2 últimos anos, de ampliar o número de restaurantes em aeroportos e terminais rodoviários. Antes, a expansão do negócio se dava junto com o boom de lançamentos da indústria de shoppings. Com o declínio econômico, os novos empreendimentos minguaram e a saída do Giraffas, e do mercado de franquias de fast food como um todo, foi buscar alternativas nas cidades do interior do país e em locais de grande concentração de público nas metrópoles.

Até 2015, o grupo Giraffas vinha surfando na onda do crescimento econômico e com planos de superar a barreira de R$ 1 bilhão de faturamento em 2017. Naquela época, a empresa esperava fechar o ano com vendas de R$ 860 milhões. Com o aprofundamento da crise, as projeções não se confirmaram. Em 2017, as vendas da rede bateram em R$ 670 milhões, bem abaixo das previsões de dois anos atrás. Agora, com os pés no chão, Eduardo Guerra, de 35 anos, diretor de expansão do Giraffas e filho do fundador, Carlos Guerra, espera crescer 8% ante 2017 e chegar ao final de 2018 com receitas em torno de R$ 720 milhões.

“A recente crise foi a maior que nós já vimos, mas o Brasil é forte e está superando as dificuldades”, diz o executivo. “Sabemos que uma massa de pessoas perdeu renda, mas a tendência é que o emprego volte aos níveis de anos atrás. Se o nível de emprego e da renda aumentar, naturalmente o varejo voltará a ter um crescimento substancial.”

Apesar da crise, o grupo achou forças para avançar no projeto de expansão desenhado em 2015. Tanto que a marca Giraffas desembarcou em 10 aeroportos do país e alguns terminais rodoviários do Sudeste. Entre eles, os do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte. Este último foi aberto ao público na sexta-feira da semana passada. Agora, segundo Guerra, a meta é ampliar essa participação e abrir outros 28 restaurantes da marca até o final do ano, oito deles em terminais rodoviários e aeroportuários e o restante em shoppings e ruas de cidades de médio porte.

O terminal rodoviário do Tietê e o aeroporto de Guarulhos, dois dos locais mais movimentados e cobiçados de São Paulo, estão com negociações adiantadas para abrir as portas para a rede. Em março, a marca desembarca no aeroporto de Goiânia (GO) e, em julho, na rodoviária de Nova Iguaçu (RJ). Também há negociações para lojas nos aeroportos de Belém (PA) e Recife (PE) e em vários terminais rodoviários.

Somadas as verbas de marketing e de implantação, o investimento deve chegar a R$ 50 milhões em 2018. “Nosso foco, além dos shoppings, são agora os aeroportos e as cidades do interior dos estados que têm forte presença no agronegócio”, diz Guerra. Ele lembra que esses municípios não sentiram muito a crise e são mercados ainda pouco explorados.

Dados apurados pela GS&MD Gouvêa de Souza através da pesquisa CREST, uma das mais completas do segmento de food service e realizada junto a consumidores de 14 países, mostram que o Giraffas está no caminho certo. Segundo o levantamento, o mercado de alimentação fora de casa iniciou um período de recuperação no ano passado, depois de uma queda de 3% em 2016.

“O ano de 2016 foi uma catástrofe para a economia como um todo e o pior do food service em muito tempo”, diz Eduardo Bueno, analista do Gouvêa de Souza. Segundo ele, uma política econômica mais clara em 2017 e a volta da confiança dos consumidores refletiram positivamente no mercado, com as transações voltando a crescer de forma sustentável.

De acordo com a pesquisa da Gouvêa de Souza, o tráfego nas lojas aumentou 2%, para 14 bilhões de visitas, e os gastos aceleraram 9%, chegando a R$ 200 bilhões. “Depois da paulada em 2016, estamos vivendo um momento de recuperação. Mas as empresas terão que correr atrás para dar continuidade a esse movimento”, alerta Bueno, observando que o ano de 2017 foi marcado pela volta das famílias ao consumo de alimentos fora do lar. Além disso, ficou claro na pesquisa que a melhora do emprego tem relação direta com o aumento do tráfego nas redes de fast food.

Pelos dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF), o faturamento do setor de franquias cresceu 8% em 2017 em relação a 2016, passando de R$ 151,2 bilhões para cerca de R$ 163 bilhões. Pelo balanço da ABF, a geração de empregos nas franquias também apresentou leve crescimento, alcançando 1,2 milhão de trabalhadores diretos no setor, alta de 1% na comparação com 2016.

Ainda segundo a entidade, a expansão de franquias em 2017 superou 145 mil pontos de vendas, 2% a mais do que no ano anterior. Já em relação às marcas, a ABF apontou uma redução de 6% na comparação com o ano anterior, com cerca de 2,9 mil redes atuantes no mercado brasileiro.

Negócio começou como lanchonete em Brasília

A Giraffas foi fundada na capital federal em 1981 pelo então estudante de engenharia elétrica da Universidade de Brasília Carlos Guerra. Ele tinha apenas 20 anos e, em sociedade com um colega de estudos, resolveu abrir uma lanchonete para sustentar a mulher e o filho recém-nascido.

Uma década depois e já dono de uma rede com mais de 10 lojas, Guerra adotou o sistema de franquias, uma forma nova na época para expandir os negócios. Assim foram surgindo restaurantes em vários estados do país. Ele tinha a ideia de padronizar o serviço desde a adolescência, quando fez um intercâmbio nos Estados Unidos e ficou impressionado com as grandes redes de fast-food que faziam sucesso entre os jovens americanos.

A rede de restaurantes começou oferecendo apenas sanduíches no cardápio. O mais famoso deles, o Brutus, alimentou a primeira geração de jovens nascidos em Brasília. Hoje ainda é um sucesso, com 70 mil unidades vendidas por mês. Atualmente, a Giraffas conta com mais de 30 opções de refeições e oito de sanduíches, que atraem o público das classes B e C. Para os franqueados, o investimento inicial em uma unidade do Giraffas está em torno de R$ 600 mil.

Leia a reportagem no link original em: Estado de Minas e Correio Braziliense

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