Conteúdo atualizado em 07/07/2026 por Renata Oliveira
A política brasileira é um ecossistema marcado por ciclos de curto prazo, herança indesejável dos períodos hiperinflacionários que moldaram o pensamento imediatista e desconectado de uma visão mais estratégica.
É sabido e reconhecido que não existe um projeto de Nação com uma visão estruturada e estratégica de longo prazo. O foco se concentra na próxima eleição e, para piorar, na perspectiva da reeleição.
Quando o calendário aponta para o período eleitoral, o pensamento dominante se fixa no magnetismo do voto fácil.
Medidas com forte apelo popular, frequentemente embaladas em pacotes de bondades imediatas, ganham relevância e dominância, sobrepondo-se à visão de futuro e aos seus impactos. Nesse cenário, o debate econômico e suas consequências são sufocados pelo apelo imediatista das urnas.
É sob essa ótica de equilíbrio e bom senso que se deve analisar e valorizar o recente movimento do Senado Federal, sob a gestão do presidente Davi Alcolumbre, ao represar a discussão sobre a alteração da jornada de trabalho, a chamada escala 6×1.
Na escalada de ações com finalidade eleitoreira, em um ambiente inflamado por paixões ideológicas e promessas de alívio rápido para uma endividada população, a decisão de adiar o debate deve ser interpretada como um raro, e fundamental, lapso de bom senso.
E ninguém pode se omitir da discussão sobre a inadiável revisão dos aspectos estruturais que levaram aos atuais níveis de desigualdade social e econômica no Brasil. Mas essa discussão ocorra de forma estratégica, ponderada e sem açodamento, enfrentando os elementos estruturais que criaram essa inaceitável situação.
E, em especial, que se tratem, de forma prioritária, os elementos que permitam a melhoria da produtividade, o aumento dos investimentos e o crescimento sustentável para que seja possível melhorar as condições de toda a população.
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